CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA
1 – Pareceu-nos ouvir, saída de boca de um qualquer júri de partida de uma prova atlética ou natatória, quando quer alinhar os atletas num início de prova.
Em vez do tradicional «Aos seus lugares!», na situação política internacional, talvez o termo mais correto seja precisamente este: «Aos seus gabinetes!», locais onde se começa a dar forma à nova ordem política mundial, acelerada por uma desajeitada conduta apolítica do Presidente dos EUA, Donald Trump, que como antítese da linha mestra que adotou durante a campanha que o elegeu, ‘Make America Great Again’, como que encurralou a Nação, numa ‘camisa de onze varas’, onde não se consegue internacionalmente descortinar uma saída airosa para a situação que de dia para dia se agrava no contexto internacional.
Nesta última quinzena, como que se multiplicaram as reuniões entre dez Países emergentes no contexto sócio político internacional, os chamados BRICS, a saber: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, que deram origem ao acrónimo da organização, e a que mais tarde se juntaram Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Irão.
Este bloco funciona de forma autónoma em relação aos blocos similares anteriormente constituídos.
2 – Na última reunião havida na Índia, foram lançadas as bases em que os Países constituintes da nova organização, vão investir os seus próprios esforços, tendo a China proposto aos fundadores desta nova organização, a adoção de toda a evolução conseguida pelos seus cientistas no domínio da Inteligência Artificial, o que poderá ser considerado como um marco histórico a nível mundial, porque esta medida agora proposta pela China, é reveladora de uma divergência filosófica, na evolução global das civilizações, e pela primeira vez utilizada no alinhamento de um bloco político.
Aliás se olharmos o mundo no contexto geral da sua evolução, a aparição dos BRICS, vem como corolário de uma política sem evolução sustentável seguida pelos EUA que, ultimamente, tem atacado economicamente os até agora seus aliados, mas com resultados contrários aos certamente pretendidos pela administração Trump, uma vez que a indústria americana depende enormemente de componentes fabricados externamente à sua economia caseira, com uma especial predominância da indústria chinesa.
3 – Perante este cenário evolutivo do mundo, talvez nos perguntemos qual a inserção do nosso País no novo contexto internacional, questão com que mais dia menos dia se deparará a nossa classe política, sendo suposto que é a essa mesma classe política que caberá a definição de linhas mestras da nossa conduta futura.
Curiosamente, na fundação dos BRICS está um País originado por Portugal no outro lado deste imenso mar que nos separa do Continente Americano, e com mantemos estreitos laços de amizade.
Por outro lado, a China é um País omnipresente na nossa economia e geograficamente, Sines estará incluído na Nova Rota da Seda, rede comercial laboriosamente tecida pela China ao longo destes últimos anos. Será de considerar igualmente o nosso relacionamento com os PALOP (Paises Africanos de Língua Oficial Portuguesa), como um canal específico de relacionamento futuro com os BRICS. Esta nossa posição, à partida privilegiada, poder-nos-á garantir algumas vantagens económicas que bastante falta nos farão aos cofres da Nação que, ultimamente, têm sofrido como que tratamentos de polé em termos de despesa.
4 – Num cenário conturbado internacionalmente, num futuro que não se avizinha muito sorridente para a Europa, o nosso País se bem conduzido politicamente poderá ser alvo de interesses e consequentes ajudas que nos poderão propiciar uns horizontes económicos mais desafogados, garantido assim, o perpetuar da nossa continuidade com vetusta Nação, portadora de uma história indefetivelmente ligada à história do mundo global, desde os tempos em que dávamos novos mundos ao mundo e, como corolário, ao mundo de hoje, que se quer próspero e feliz.
Assim saibamos aproveitar as oportunidades que estão agora a despontar no horizonte político mundial, e a que teremos de estar bem atentos, aproveitando o tudo de bom, que esse novo possível cenário socioeconómico nos possa trazer. JOSÉ MANUEL CLARO


