Praça Marquês de Pombal em Porto Covo, no dia 17, quando o sol já caminhava para o ocaso, cobrindo tudo e todos com os seus dourados raios.
Imersos nos ruídos oriundos da manipulação de tubos e guinchos, nas ordens e contra ordens, os técnicos de palco procediam às montagens finais.
Na régie, os técnicos de som parametrizavam os diferentes instrumentos que iriam ser utilizados daí a pouco no concerto do Bruno Pernadas.
Talvez indiferentes a toda esta azáfama, os veraneantes passeavam-se por entre toda aquela amálgama de ruídos, cheiros e sons.
Bem-vindos ao FMM de Sines de 2026!
A Vila ‘portocovina’, como que se altera por estes dias, para receber a tribo, ou melhor escrevendo, as tribos, que por alturas deste festival, como que assaltam a pacatez dos residentes desta zona do Litoral Alentejano.
Aos mercadores, que dão origem a uma pequena feira onde de tudo se vende, aos artistas de rua, que aproveitam a oportunidade para evidenciarem os seus múltiplos talentos musicais e circenses, aos simples espetadores que fazendo questão em se juntarem a tudo isto, se espalham pelo chão das ruas ou pelos areais das praias contíguas, aproveitando os raios solares para envolverem os seus corpos em doces carícias.
Nos cafés, foi curioso o momento do reencontro dos tribalistas, muitos deles que já não se viam desde o ano passado.
Tudo isto, caros leitores, faz do Festival de Músicas do Mundo de Sines, o auditório ideal para se ouvir ‘Música com Espírito de Aventura’, tal foi o lema escolhido pela organização para o festival deste ano.
Arrumadas que estavam as coisas, acomodadas as gentes que inundaram as ruelas do Porto Covo, já passavam alguns minutos das nove da noite, quando se fez ouvir na voz da ‘speaker’ o já tradicional «Boa noite Porto Covo!», frase recebida por um forte e uníssono aplauso.
Estava inaugurado o Festival de Músicas do Mundo de 2026.
Difícil será escolher entre as sete atuações que decorreram até ao final do dia de domingo, qual aquela que se destacou do grupo das levadas a palco.
Géneros musicais muito diferentes, logo com apreciações pessoais sempre muito diferenciadas, tendo apenas como fator comum, o virtuosismo e a qualidade evidenciados pelos intérpretes que tornaram aquelas noites da Vila, como recordações para sempre gravadas nos espíritos de quem assistiu aos espetáculos.
Quando a segunda-feira já era nascida, como que se começou a assistir ao ‘desmanchar da feira’ e ao rumar a Sines, onde durante o dia e noite de segunda-feira, já soarão os acordes de outros palcos, onde outros artistas igualmente de qualidade, presentearão as tribos, nómadas pelo seu amor à música, com os tais acordes que foram o motivos de se palmilharem quilómetros e mais quilómetros, de se navegarem ou voarem muitas milhas, para que no final todos estivessem presentes a um dos maiores e mais galardoados festivais que sobem aos palcos portugueses.
A cidade de Sines e a sua bela baía, como que se transfiguram para acolherem os muito milhares de forasteiros, as tais tribos, que ganham esse estatuto pela sua presença coletiva, ano após ano, presenciando uma manifestação artística polifacetada, dado que o FMM de Sines, comporta na sua organização, um ecletismo de atividades culturais dignas de menção e reconhecimento por parte de todos aqueles que visitam as terras de Vasco da Gama.
Venha ‘festivalar’… Sines aguarda por si!
JOSÉ MANUEL CLARO


