Por: Maria da Conceição Martins
XV Domingo do tempo comum – 12- 07-2026
Is. 55,10-11; Rm. 8,18-23; M.t 13,1-23
As leituras deste Domingo convidam-nos a refletir sobre a importância da Palavra de Deus e a sermos boa terra para acolher a PALAVRA e a produzir muito fruto.
Na 1ª Leitura, o Profeta compara a Palavra de Deus à CHUVA.”Não voltará, sem ter cumprido a sua missão”.
O profeta anuncia que Deus é sempre fiel às suas promessas. E como a chuva que cae do céu e não volta sem ter produzido o seu efeito assim é Sua Palavra. Deus não se esquece do Seu povo. A Sua Palavra nunca falha.
O Evangelho, deste domingo apresenta-nos a Parábola da SEMENTE e do SEMEADOR, e mostra-nos que o fruto da Palavra de Deus depende da qualidade da terra.
“O Semeador saiu a semear… e a semente”. Parte caiu:
– no caminho… os pássaros vieram e comeram-na… são os que receberam a semente mas não acreditam…
– no terreno pedregoso: brotou e logo secou. Porque embora simpatizassem com Jesus, logo desistiram de O seguir.
– no meio dos espinhos: os espinhos cresceram e sufocaram… são aqueles que veem na mensagem de Jesus uma ameaça: porque implica mudar de vida, afastar-se do poder, partilhar a riqueza, a ser solidário… estes não estão disponiveis para viver a PALAVRA.
– na terra boa: produziu 30, 60, 100 por um… só ficaram com ELE alguns discípulos. E até eles tinham as dúvidas!…
Nesta parábola Jesus continua a dizer que apesar dos obstáculos, a semente não perde a sua força e Deus lança a Sua semente em todas direções.
Muitos podem fechar-se à Palavra de Deus, rejeitá-la, mas haverá sempre terreno onde produzirá 30, 60, 100…
O acolhimento do evangelho não depende nem da Semente, nem do Semeador, mas da QUALIDADE DA TERRA.
A Parábola que o Evangelho nos propõem não é para o passado mas, para nós os crentes de hoje.
E podemos perguntar:
que terreno sou eu, somos nós? E que semeadores somos?
Cuidamos do nosso terreno, retiramos as pedras e espinhos que atrapalham, para que haja boa colheita?
Quando acolhemos a Palavra de Deus, com um coração aberto e disponivel, acabamos por ser semeadores.
A parábola de Jesus é uma Parábola de ESPERANÇA:
Jesus é o Semeador, e nós também o somos, junto com ELE…
Semear um sorriso à nossa volta; energias positivas para enfrentar as batalhas da vida; semear a nossa coragem para reerguer a coragem do outro; semear a nossa alegria, a nossa fé, o nosso amor.
Apesar dos nossos limites acreditamos que o Semeador é Deus. ELE nos garante: “A palavra de Deus não voltará sem produzir o seu fruto”.
XVI domingo do Tempo Comum – 19 – 07 -2026
Sb 12,13.16-19; Rm 8,26-27; Mt 13,24-43.
A Liturgia deste domingo fala -nos da PACIÊNCIA DE DEUS e convida- nos a convivermos com paciência e prudência com todos. Olhando o mundo de hoje, vemos que o BEM e o MAL caminham juntos.
A 1a Leitura apresenta-nos um Deus indulgente e misericordioso para com os homens, mesmo quando eles praticam o mal. Deus ama todas as pessoas que criou, mesmo quando não se portam bem. Deus é tolerante e justo. NEle a bondade e a misericórdia sobrepõem – se à vontade de castigar. E convida-nos a adotar a mesma atitude no nosso dia a dia.
O Evangelho destaca a Paciência de Deus.
A presença do Reino de Deus no mundo é irreversível e nele todos, bons e maus, têm lugar para crescer e amadurecer.
Neste Evangelho Jesus apresenta-nos TRÊS PARÁBOLAS:
O trigo e o joio; o grão de mostarda; o fermento na massa.
A Parábola do trigo e do joio revela – nos DUAS ATITUDES:
– A Impaciência dos homens: “Senhor, queres que arranquemos o joio?”
– A Paciência de Deus: “Deixai crescer ambos até a ceifa…”
Deus não quer a destruição do pecador, a segregação dos maus, nem a marginalização de ninguém. “Deus é paciente e misericordioso lento para a ira e rico de misericórdia” (Sl 85)
Na construção do Reino, é preciso ter paciência, ser tolerante e esperar a hora certa. É Deus quem faz a separação no final da colheita.
Ao ver a Paciência de Deus com o joio somos convidas a rejeitar as atitudes de: rigidez, de intolerância, de incompreensão, de vingança, e a contemplar os irmãos – com as suas falhas, defeitos, comportamentos – com os olhos benevolentes, compreensivos e pacientes de Deus.
Porque, Joio e Trigo estão em toda parte, em todos os grupos, inclusive na Igreja. Vemos joio de: desunião, inveja, ciume, fofocas…
Esquecemos que o mal e o bem se misturam no mundo, na vida e no coração… que o Reino de Deus no mundo contém trigo e de joio, guerra e paz, gozo e inquietação… que o joio de hoje poderá tornar- se, amanhã, trigo de Deus… e que, mesmo dentro de cada um nós, há trigo e joio.
Hoje como antes, Cristo continua a repetir: “Deixai crescer ambos, até à colheita”.
Esta Parábola lembra-nos que: não há comunidades perfeitas, filhos perfeitos, sociedades perfeitas, nem igrejas perfeitas, há avanços e recuos,… É importante saber conviver, no meio dos conflitos anunciando sempre a misericordia de Deus.
No entanto, não podemos ficar de braços cruzados, a olhar passivamente.
Porque nas outras duas parábolas Jesus diz que :
– devemos ser como a SEMENTE DE MOSTARDA, pequena, insignificante, mas que cresce até aninhar os pássaros nos seus ramos.
– devemos ser o FERMENTO, que leveda toda a massa, no mundo em que vivemos…Deste modo estaremos a transformar o JOIO em TRIGO…
O Reino de Deus já está presente entre nós, mesmo misturado com o joio, mesmo pequeno como o grão de mostarda, ou um pouco de fermento.
Como cristãos, somos convidados a ser TRIGO LIMPO: de amor, dedicação e colaboração com todos e a refletir se ainda somos JOIO de ódio, discórdia, arrogância, má lingua…
O Espírito Santo, Senhor da VIDA, “vem em auxílio de nossa fraqueza”. ELE nos renova e guia no caminho para a vida plena.
Maria Conceição Martins

