A Fundação da Caixa Agrícola da Costa Azul apresentou ao Ministério da Cultura uma candidatura no valor de 2,4 milhões de euros para desenvolver, ao longo de quatro anos, um conjunto de projetos culturais no concelho de Santiago do Cacém.
O anúncio foi feito pelo presidente da Fundação, Jorge Nunes, à margem da inauguração da 5.ª edição da Festa do Livro, que decorreu entre 26 e 28 de junho, no centro histórico de Santiago do Cacém.
Segundo o responsável, o projeto integra várias áreas da cultura, incluindo o teatro, as escolas, os livros e a recuperação de património cultural.
“Apresentámos um projeto para quatro anos, para a área da cultura, do teatro, das escolas, dos livros, no valor de 2,4 milhões de euros”, afirmou Jorge Nunes.
A candidatura foi apresentada no âmbito da vertente cultural do regime ARI — Autorização de Residência para Investimento —, associada ao apoio à produção artística e à recuperação ou manutenção do património cultural.
De acordo com Jorge Nunes, este enquadramento, associado aos chamados vistos gold, permite canalizar investimento para fundações com projetos na área da cultura.
A Festa do Livro de Santiago do Cacém, que este ano chegou à 5.ª edição, já está incluída nesta candidatura, acrescentou o presidente da Fundação, admitindo que a iniciativa poderá crescer nos próximos anos, caso o projeto seja aprovado.
“A Festa do Livro já entra nessa candidatura”, assinalou.
O responsável explicou ainda que a Fundação tem investido anualmente “cerca de 40 a 50 mil euros” na organização da Festa do Livro, mas que a integração do evento neste projeto poderá permitir reforçar a programação cultural e libertar verbas próprias para outras áreas de intervenção.
Jorge Nunes sublinhou que o objetivo é melhorar a Festa do Livro e, ao mesmo tempo, alargar a atividade cultural da Fundação no concelho.
“A Fundação não só vai melhorar a Festa do Livro, porque vamos fazer muita coisa na área da cultura, com as escolas, é um projeto enorme, como vamos poder fazer mais na assistência social”, sustentou.
Além da Festa do Livro, a candidatura contempla outros projetos culturais, incluindo iniciativas ligadas à recuperação de património. Jorge Nunes apontou como exemplo a Sociedade Harmonia, em Santiago do Cacém, cujo edifício se encontra degradado.
“Já começámos a dar os primeiros passos para um projeto que pode fazer a recuperação”, assegurou.
O presidente da Fundação admitiu que a resposta do Ministério da Cultura poderá demorar mais do que o inicialmente previsto, devido ao elevado número de candidaturas apresentadas, mas mostrou confiança no impacto que o projeto poderá ter no território.
“Isto faz-se com pessoas, sem pessoas não se faz, mas também se faz com dinheiro”, defendeu.
Sobre a Festa do Livro, Jorge Nunes garantiu que o evento já se afirmou no litoral alentejano, mas tem condições para crescer.
“Mesmo pequena que seja, é sempre sucesso. E os grandes sucessos fazem-se de pequenos sucessos”, concluiu.

