Equipa de Grândola vence corrida nacional de carros a hidrogénio em Sines

Helga Nobre

Competição em Sines juntou 91 estudantes de quatro Escolas Secundárias da Região no encerramento do projeto “Hidrogénio Verde na Corrida para a Descarbonização”.

Sines recebeu, no passado dia 15 de maio, uma competição diferente, onde a ciência, a inovação e a sustentabilidade foram levadas para a pista. Perto de uma centena de alunos do Ensino Secundário participou, no Pavilhão Multiusos de Sines, numa corrida com carros telecomandados movidos a hidrogénio.

A iniciativa marcou o encerramento do projeto-escola “Hidrogénio Verde na Corrida para a Descarbonização”, desenvolvido pelo HyLab, no âmbito da agenda H2 Green Valley, com o apoio da Câmara Municipal de Sines e do Sines Tecnopolo.

Ao todo, participaram 91 alunos de quatro Escolas do Litoral Alentejano, que durante o projeto tiveram contacto direto com conceitos ligados à transição energética, ao hidrogénio verde e ao papel desta tecnologia na redução das emissões de carbono.

Segundo Nuno Canha, Coordenador Geral do projeto, o objetivo passou por ajudar os alunos a perceber “o que é o hidrogénio verde, como se produz, qual a sua aplicação e a sua potencialidade na descarbonização”.

Cada turma recebeu um kit composto por um carro telecomandado, um eletrolisador e pilhas de hidrogénio. A partir daí, coube aos alunos montar, testar e melhorar os veículos, procurando encontrar soluções para aumentar o desempenho em pista.

Durante quatro horas, as equipas participaram numa prova de resistência, onde a velocidade não era o único fator decisivo. Além de acelerar, era necessário gerir a energia, evitar avarias e resolver problemas técnicos nas boxes.

Entre tubos, rodas, comandos, baterias e ajustes de última hora, os jovens testaram diferentes estratégias. Houve quem alterasse pesos, substituísse materiais e até recorresse à cortiça para tentar ganhar vantagem na corrida.

Na equipa Power Riders, da Escola Secundária Poeta Al Berto, em Sines, Inês Vilelas, de 17 anos, contou que aceitou o desafio “sem pensar duas vezes”. A corrida, no entanto, trouxe alguns imprevistos, desde tubos rachados a rodas que não viravam e ventoinhas que não ligavam.

Também da Escola Secundária Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém, participaram duas equipas acompanhadas pelo professor José Ferreira.

O docente destacou a importância da experiência, mesmo quando surgem dificuldades: os alunos podem ficar desmoralizados, mas são esses problemas que os obrigam a procurar soluções e a crescer.

De Grândola chegou uma equipa da Escola Secundária António Inácio da Cruz, com um carro inspirado no “Faísca McQueen”, personagem conhecida do filme de animação Carros. A escolha contou até com a ajuda de crianças de um infantário, mas nem por isso a prova foi simples.

 

Rafael Silva explicou que a equipa enfrentou dificuldades com o sistema de hidrogénio, que nem sempre chegava corretamente ao carro. Ainda assim, o colega Lucas Pereira fez um balanço positivo da participação, considerando a experiência enriquecedora e desafiante.

Já a equipa da Escola Secundária Padre António Macedo, de Vila Nova de Santo André, apostou numa estratégia de gestão de energia. A meio da corrida seguia em quarto lugar e procurava poupar bateria para acelerar na fase final. João Santos admitiu que esperava uma prova difícil, mas garantiu que estava a gostar da experiência e que gostaria de voltar a participar.

Esta foi a primeira competição do género realizada em Portugal no âmbito do circuito internacional H2 Grand Prix.

A equipa vencedora foi a Dj Racing, da Escola Secundária António Inácio da Cruz, de Grândola, que conquistou o direito de representar Portugal na final internacional.

Foto: CMS