Desafios do trabalho

No passado dia 1 de Maio, celebrámos a Solenidade de São José, Operário, Padroeiro da nossa Diocese de Beja. O trabalho não só dignifica e dá sentido à vida, mas também é, em sentido cristão, participação na obra criadora de Deus e na construção da sociedade. Neste mesmo dia assinalou-se o Dia Mundial do Trabalhador. Se é verdade que muito se alcançou no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores, que incluem os seus deveres, é ainda verdade que com as transformações que têm vindo a acontecer existem novas e velhas questões que importa pensar e a que responder. Continua a haver exploração, desigualdade, especulação, situações desumanas, pacotes laborais e condições de trabalho indignas. Não podemos ficar indiferentes. Quando percorro algumas estradas e vejo terrenos onde estão vários contentores (“casas” disfarçadas), pergunto: Para que serão? Para quem serão? Quem ali vive? Conhecemos uma possibilidade de resposta. É preciso fiscalização e defesa dos mais frágeis e vulneráveis, e no caso, não importa a sua geografia. Há hoje muitos sectores no mundo do trabalho que importa habitar, conhecer e defender. O mês de Maio, dedicado à Virgem Maria, é marcado pela reza diária do Terço, como Nossa Senhora pediu em Fátima, nas suas Aparições, e pelas peregrinações ao Santuário de Fátima. Um Grupo da Nossa Paróquia todos os anos se dirige àquele lugar santo, bem como muitos outros da nossa Diocese. Tantos se colocam sob a proteção materna de Nossa Senhora, que nos leva sempre a Jesus, O qual nos releva o rosto de Deus Pai. É certo que vivemos uma crise da paternidade e das suas figuras, não só fora da Igreja, mas no seu seio. Os principais responsáveis da Igreja, muitos deles, demitiram-se da sua paternidade espiritual. Estão quase reduzidos a CEO’s e os seus cooperadores, muitas vezes reduzidos a funcionários do sagrado, que tentam responder a tantas solicitações, que se vêem sós, desmotivados e mesmo em cisão entre o que supostamente são e o que fazem, redundando na falta de sentido. Deixo esta inquietação que apenas aflorei e à qual espero poder voltar. Este mês de Maio, pode ser uma oportunidade para pensar nas questões aqui colocadas, e outras que possam surgir. Os tempos de crise, como a natureza do vocábulo refere, são sempre uma oportunidade de discernimento e decisão, e como tal de mudança… haja protagonistas!