As rugas não são feridas nem cicatrizes. São mapas. Caminhos que o tempo desenhou na pele para lembrar as viagens que fizemos por dentro e por fora. Cada linha é a memória de um instante, um sorriso guardado, uma lágrima que não se arrependeu de cair, uma noite em claro, um abraço que demorou.
Dizem que o rosto envelhece, mas a verdade é que apenas vai ganhando histórias. As rugas são sorrisos antigos que decidiram ficar. Não partiram com os dias, nem se perderam no esquecimento: fixaram-se como raízes na pele, para que nunca nos falte a lembrança daquilo que já nos fez viver.
Olhar-se ao espelho é como abrir um livro sem fim. Cada ruga é uma palavra sublinhada, um canto de folha onde a vida quis deixar rastro.
Assim, o rosto maduro é como um jardim em flor tardia: já não precisa de provar nada, apenas mostrar que a beleza pode ser calma, lenta e verdadeira. As rugas não roubam o brilho, apenas o transformam em luz suave, a que só se acende em quem já atravessou muitos invernos e ainda sabe sorrir.
O sentido das palavras
Carlos Cabrita


