AS GUERRAS FORAM DE FÉRIAS?

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

1 – Claro que não, apenas foram como que encobertas e postas a recato, das grandes paragonas noticiosas, por onde deixaram de aparecer diariamente com a intensidade com que se vinham a exibir até aqui. Tudo se mantém tacitamente intacto nos cenários de guerra.
Quanto aos litígios no médio oriente, Israel não deixa os Palestinianos de Gaza, terem acesso ao mar. Aqui e ali, vão atirando sobre aqueles que desesperadamente buscam algo para comerem.
No Mar Vermelho, os guerrilheiros Houtis, deixaram de atacar os barcos americanos que transportam o armamento para Israel, e como contrapartida, deixaram de ser incomodados pela frota americana que se passeia por aquelas paragens.
Já pela Europa, a Rússia continua paulatinamente a atacar a coberto da noite, os grandes centros urbanos ucranianos. Quanto às tentativas hegemónicas do domínio do mundo, a China continua paulatinamente a preencher o espaço do Pacífico com as suas forças militares, manifestando apetências pela anexação de Taiwan e ultimamente pelo Japão.

2 – Quando os homens não andam aos tiros por aí, e se dedicam mais às falas, por vezes vão-se descobrindo uns quantos gatos escondidos com os rabos de fora.
Já não será a primeira vez que por aqui, comparo o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Ronald Trump, a um desajeitado elefante que entrou inadvertidamente numa pequena loja de cristais e um qualquer centro comercial.
Nestes últimos dias, Trump anunciou ao mundo que iria finalmente fornecer à Ucrânia, os mísseis Patriot, que para além de servirem como defesas contra os ataques aéreos, quando integrados no sistema MIM 104-Patriot, permitem ainda a sua utilização como arma de ataque de longo alcance.
Até aqui nada de anormal no comportamento de uma nação que se diz aliada da Ucrânia.
Não fora aquela proverbial falta de jeito para tudo, e que levou a que, numa conferência de imprensa, o Presidente dos EUA tivesse afirmado que iria fornecer essa poderosa arma à Ucrânia porque a França pagou o armamento a enviar.

3 – Haverá coisas da razão, que a própria razão aconselha a serem mantidas num salutar e estratégico recato, porque, em face dos dados agora revelados pelo Presidente Americano, poder-se-á concluir que, se no mundo alguém existe, a quem a paz na Europa não convém, esse alguém será Ronald Trump, que vê no prolongar deste conflito, uma ótima maneira de encher os cofres da sua nação. Ainda aquando da última reunião da OTAN, a forma subserviente como a classe política europeia se agachou perante o Presidente Americano, exibindo uma falta de traquejo político alarmante, evidenciou que o futuro da Europa está cada vez mais ensombrado pela falta de grandes estadistas, homens que por obras e posições políticas saibam alcandorar o Velho Continente à posição que já teve, ainda não há muito tempo.
Vai sendo tempo, dos nossos governantes olharem para as saídas possíveis para o futuro desta Europa aliada em torno da bandeira chamada CEE, fazendo sentir ao prepotente Presidente Americano, que há mais vida para além da estratégia emergente do final da II Guerra Mundial.
Blocos de influência, sempre os houve e haverá, agora, querer pertencer a uma dessas fações e em simultâneo combater os seus aliados, qual proxeneta dos tempos modernos, não fará o mínimo sentido político e apenas facilitará aos europeus, o recurso a outras famílias geopolíticas.

4 – Se é certo que politicamente o futuro do mundo se decidirá no Pacífico, não será menos certo que esse domínio futuro não terá um cariz meramente militar e, bem pelo contrário, terá o seu principal pilar assente na economia global que qualquer potência consiga impor nessa área.
Olhando para os últimos estudos publicados e referentes à geoestratégias, facilmente se poderá deduzir pela omnipresença da Rússia ao nível dos armamentos e da China ao nível da economia e dos meios humanos, que estão paulatinamente ocupando o continente africano e a chamada América Latina.
Entretanto, o nosso elefante continua a passear-se pela loja de cristais, partindo as peças por onde roça o seu enorme e desajeitado corpanzil político, como que fazendo jus ao seu desengonçado andar. JOSÉ MANUEL CLARO