AHSA quer ajudar a criar residência coletiva para trabalhadores agrícolas

Oradores do evento destacaram o papel estratégico do regadio e da habitação no futuro da agricultura no sudoeste alentejano

O Cineteatro Camacho Costa, em Odemira, acolheu, na semana passada, o primeiro colóquio promovido pela AHSA – Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur. Sob o tema “Regadio e Alojamento: Fatores Críticos de Sucesso”, a iniciativa reuniu representantes do setor agrícola, decisores públicos e especialistas para debater os principais desafios e oportunidades do desenvolvimento sustentável da agricultura no sudoeste alentejano.

Ao longo das várias intervenções, ficou clara a urgência de estratégias locais e nacionais articuladas, que combinem sustentabilidade ambiental, desenvolvimento económico, modernização do regadio, criação de soluções habitacionais e integração social dos trabalhadores migrantes.

Na sessão de abertura, Luís Mesquita Dias, presidente da AHSA, sublinhou o potencial único do território para a agricultura, assente num clima excecional e na infraestrutura hídrica proporcionada pela barragem de Santa Clara. Além disso, recordou os avanços registados na última década, resultantes da conjugação entre disponibilidade de água e capital humano, onde se incluem tanto quadros técnicos como trabalhadores migrantes.

Entre os números apresentados, destacou a faturação gerada anualmente pela atividade agrícola no Perímetro, que se aproxima dos 500 milhões de euros, um terço dos quais representa receita fiscal para a região. Luís Mesquita Dias alertou, contudo, para alguns desafios atuais com que o setor se depara. A título de exemplo, referiu as restrições impostas por um conjunto de entidades reguladoras da atividade no Parque Natural, que limitam práticas essenciais como a construção de charcas ou dificultam ou atrasam o licenciamento da habitação nas quintas.

Apontou, no entanto, também aspetos positivos, como o projeto “Água que Une”, que contempla fundos para a modernização do regadio no Perímetro, bem como a essencial ligação Alqueva – Santa Clara. Saudou, por fim, as medidas tomadas pelo Governo, visando a regulação e o equilíbrio dos processos de imigração.

A primeira apresentação esteve a cargo de Francisco Gomes da Silva, diretor geral da AGROGES, que apresentou um estudo sobre a relação entre regadio e desenvolvimento rural, com foco nos concelhos do litoral alentejano e algarvio. A conclusão foi clara: existe uma correlação direta entre regadio e melhores indicadores de desenvolvimento, sendo o investimento neste domínio uma decisão estratégica e política de primeira ordem.