Helga Nobre
A Lagoa de Santo André abriu ao mar, cerca das 13:10 do passado dia 28 de março, uma hora antes do previsto, num processo coordenado pela Câmara de Santiago do Cacém para a renovação da água e das espécies.
A Lagoa “abriu um pouco mais cedo do que era esperado e, depois de ter sido feito um trabalho prévio, com recurso a máquinas retroescavadoras, o mar encarregou-se de derrubar a última barreira e fazer a ligação ao mar”, explicou o Presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha.
Com uma cota elevada, a maior desde há 12 anos, devido às chuvas das últimas semanas, o Autarca indicou que “o processo de abertura foi mais fácil”.
“Este ano a Câmara chamou a si a responsabilidade da abertura da Lagoa, fez um protocolo com a Agência Portuguesa do Ambiente-APA e envolveu os Pescadores e a Comunidade Locais, a Junta de Freguesia de Santo André e o ICNF-Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas”, acrescentou.
As Entidades envolvidas acordaram “o dia, a hora e o local exatos para a abertura da Lagoa e, por isso, o Autarca mostrou-se convicto de que estão reunidas as condições para que a natureza possa fazer o seu trabalho e garantir a ligação da Lagoa ao mar o maior número de dias possível”.
No ano passado, a Lagoa de Santo André “esteve aberta ao mar mais de 90 dias”, acrescentou.
Também a assistir à abertura, pela primeira vez, o Vice-Presidente da APA, Rogério Silva, aludiu para a importância deste tipo de operações do ponto de vista ambiental.
Este processo, que é feito todos os anos, com “recurso a meios mecânicos, garante a renovação da água e das espécies piscícolas”, sublinhou.
“A APA faz o seu papel, mas está a fazê-lo cada vez mais com grande proximidade aos atores locais, nomeadamente as Autarquias que estão no território para que se operacionalize todo este conjunto de operações”, realçou.
Também o Presidente da Junta de Freguesia de Santo André, David Gorgulho, considerou que “as chuvas das últimas semanas contribuíram para uma cota de água elevada, só superada em 2010”.
“Isto facilita o processo mecânico, aconteceu antes da hora prevista, a mãe natureza assim o quis e ao falar com alguns pescadores já nos indicaram que está tudo a correr bem, há uma força de água muito grande na zona entre a Lagoa e o mar e por isso estamos muito satisfeitos”, referiu.
Já para Carlos Agostinho, um dos pescadores da Lagoa, a operação correu bem, tendo em conta a “força” da corrente.
“Está a alargar e a afundar o que significa que vai ser possível renovar essa água suja que a chuva traz das serras e agora convém que meta umas marés boas, para lavar bem a Lagoa e deixar entrar espécies piscícolas”, afirmou.
Tal como em anos anteriores, a operação de abertura do canal, com largura e profundidade suficientes para permitir a ligação ao mar, foi acompanhada por centenas de pessoas que permaneceram no areal até à conclusão do processo.
A operação contou com o apoio do ICNF e a colaboração da Capitania do Porto de Sines.
A ligação da Lagoa com o mar acontece todos os anos por altura do equinócio da Primavera e, além do espetáculo que a natureza proporciona, visa a renovação das espécies e a limpeza da água.


