A POLÍTICA E OS AFORISMOS POPULARES

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

 1 – Politicamente, a situação do mundo, torna pouco recomendável o surgimento de crises internas nos Países da envelhecida Europa que, de uma forma inopinada se vê a braços com um conflito armado intramuros, e uma situação global a requerer uma especial atenção e mobilização de recursos tendentes à definição das políticas internas de cada Estado, no sentido de ganhar proveitos e defesas para os cenários que se adivinham a curto prazo.

Acrescentando a tudo isto, terá de ser contabilizada a estratégia seguida pelos Estados Unidos da América (EUA) que, depois de terem arrastado os Países Europeus para um conflito originado pela defesa dos seus interesses, ameaça agora com a retirada dos apoios que se comprometera a dar e, como se isso não bastasse, igualmente abriu uma guerra económica contra os seus aliados europeus.

Perante este cenário, será justo referir um aforismo popular português, que reza assim: «com amigos destes, não precisamos de inimigos».

 

2 – Internamente, o nosso País, vê-se a braços com mais uma crise política que ditou a convocação de mais um ato eleitoral para o dia 18 de maio próximo.

Num romance de cordel, a Assembleia da República albergou em três semanas seguidas a discussão e votação de três moções, duas de censura e uma de confiança.

Como resultado prático de todo deste manancial contestatório, teremos de ir tentar escolher em maio, um novo alinhamento partidário para o hemiciclo da chamada casa da democracia, passível de dar a estabilidade de que o País tanto necessita.

Na base do sucedido, temos o arrolar de possíveis inconformidades na vida familiar do senhor Primeiro Ministro (PM), ainda em exercício, assinaladas pelos partidos da oposição, como incompatíveis com o seu estatuto político que vinha desempenhando.

O País, foi confrontado com as chicanas políticas mais desajustadas à situação que vivemos intramuros em que, algumas delas de tão ridículas, nos cobrem de vergonha e desprestígio além-fronteiras.

 

3 – Parece que o sr. PM, olvidou a velha máxima de que «em política tudo o que parece é», ou acaba por ser, acrescentaremos.

Depois, igualmente cometeu o erro da avaliação na majoração da situação, no que concerne ao secundarismo das incidências resultantes no objeto do conflito em causa, tendo adotado como possível solução, uma fuga em frente. Desastrosa a opção tomada, porque vai sujeitar o País a mais um plesbicito que, pelo cenário promitente, de nada servirá os interesses e a estabilidade requeridos pelos tempos que correm, em que seria aconselhável um entendimento de consenso, sabendo-se à partida que o senhor PM não poderá viver «com sol na eira e chuva no nabal».

Se olharmos a situação criada, pelo prisma de fuga a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), poderemos considerar como resultado final, que «foi pior a emenda que o soneto».

Diariamente estamos a assistir ao desfiar do rol de situações, que manterão o senhor PM como que mergulhado num ‘banho maria’.

 

4 – Aquela tentativa de troca de aceitações tácitas de última hora, cobre de ridículo toda uma classe política que, a cada passo, mais se revela de baixa qualidade e impreparada para se arvorar representante do povo português, mas «quem dá o que tem a mais não é obrigado».

A aceitação por parte do povo deste último aforismo mencionado, não terá de ser bem assim, porque as funções públicas a que os nossos políticos ciclicamente se candidatam, terão sempre de ter como contrapartida, a certeza por parte dos eleitores, de que do escrutínio sairão os melhores, os mais capacitados, para um desempenho que, independentemente das opções tomadas por cada um, deverão refletir-se na administração do bem comum.

Somos uma pequeníssima economia no seio da Europa, facto que nos vai permitindo a obtenção de uns certos resultados algo diferenciados no contexto das economias do sistema em que estamos inseridos, resultados esses que são exibidos de uma forma exorbitada pelos nossos governantes, omitindo a escala de grandeza dos mesmos. O voto, será como que a única arma que nos restará para invertermos a situação.   JOSÉ MANUEL CLARO