BALANÇOS…

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

1 – Ano que finda, um novo que começa e é recorrente nos Órgãos de Comunicação Social,  surgirem uns balanços ao ano que findou e umas alcofas bem atestadas com uns quantos desejos, que vão variando muito consoante as temáticas.

Essa abordagem está sempre subjacente às cores políticas de onde nascem esses balanços e já quanto aos desejos, pecam todos pelo mesmo irrealismo, quando não roçam as raias da demagogia.

No nosso País a factualidade dos dados deixa pouca margem de manobra interpretativa a quem os analisa: aumentaram os partos nas ambulâncias, aumentaram as horas de espera nos bancos hospitalares, no ensino superior aumentam as taxas de insucesso por abandono, devido às por vezes incomportáveis verbas pedidas a título de alojamento e propinas, aumentam o número de migrações de quadros técnicos formados a expensas do erário público, aumenta o turismo da saúde, suportado igualmente pelo erário público e, muitas mais rubricas se encontram no cardápio dos balanços, denegrindo a gestão pública.

Exponencialmente cresceu a corrupção e o compadrio, de que nos chegam diariamente tristes exemplos, que já se vão tornando corriqueiros pela frequência e volume que os caracterizam.

 

2 – Assim que algum dado, mais ou menos novo, é trazido a público, de imediato surgem os arautos da interpretação, agentes das cores partidárias opositoras, alardeando-se de virgens puras e imaculadas, baseando as suas doutas análises na premissa de «connosco nada disto acontecia».

Pura ilusão, qual número de magia, jogando com a desmemorização de largas franjas do eleitorado a quem, a profusão interpretativa e circunstancial, leva por vezes ao esquecimento das verdadeiras causas e inícios dos factos detetados.

Temos para nós, se olharmos aos últimos cinquenta anos de governação, que os ditos partidos do arco governativo, são corresponsáveis pelo calamitoso estado a que chegou a nossa sociedade.

Internacionalmente, se compararmos os vários itens socialmente avaliativos, Portugal tem vindo paulatinamente a descer nas escalas de enquadramento, já estando ao nível daquelas sociedades para onde nós olhávamos e dizíamos que «pr´áli nunca!».

 

3 – Cada dia que passa, mais se vai revelando a verdadeira natureza dos nossos políticos, incapazes de levar uma nau a bom porto, deixando os nossos destinos e dinheiros nas mãos de grupos económicos, dotados de uma estrutura humana bem oleada, trabalhando dia e noite em várias frentes, para conseguirem levar a água ao seu moinho, o mesmo que será dizer, extorquir o pouco que a nossa sociedade produz, apesar de sermos um País com excedentes orçamentais.

Aqui chegados, temos de considerar a nossa grande dificuldade em perceber a falta de professores, a falta de médicos no SNS, helicópteros do INEM que não podem voar, a falta de empresas que possam albergar os nossos estudantes saídos do ensino, a falta de condições dadas aos nossos agentes da segurança e… esse tal de excedente orçamental.

A coisa chegou a um estado tal que, uma operação policial levada a cabo numa zona crítica da nossa capital, tem sido o comburente que alimenta o combate político na nossa sociedade, por estes últimos dias, enquanto se vai morrendo por falta de assistência médica, à porta das nossas unidades hospitalares.

 

4 – Efetivamente que não pretendemos fazer comparações com o que se passa nos outros estados da União Europeia, cuja organização político-social, raramente propicia estas situações, e não estamos a ver, por lá, um aproveitamento por parte das oposições de factos semelhantes a este.

É insofismável, que necessitamos da imigração como de pão para a boca, pelo que seria da mais elementar inteligência, que criássemos as mínimas condições para recebermos aqueles, que tal como nós, procuram um novo modo de vida numa terra que não é a sua.

Não é estancando a hemorragia da imigração, que conseguimos fazer progredir a nossa sociedade, antes pelo contrário, mas para isso faltam-nos políticos visionários, que realmente entendam que o futuro se decide hoje e que o amanhã será sempre o corolário daquilo que escolhermos no presente.      JOSÉ MANUEL CLARO