Helga Nobre
O PCP considerou que a proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2025 “ignora o Alentejo” por “não dar resposta aos problemas estruturais de âmbito nacional e não inscrever investimentos essenciais ao desenvolvimento da região”.
Em comunicado, a Direção da Organização Regional do Alentejo (DRA) do PCP destacou as questões relativas à saúde como a ampliação do Hospital Distrital de Beja “que apenas se fica pelas diligências, a falta de resposta para a colocação de médicos de família um pouco por toda a região, a beneficiação geral dos centros de saúde e outras infraestruturas hospitalares”.
“A ampliação do Hospital Distrital de Portalegre, bem como para os respetivos equipamentos; a falta de verbas para a conclusão do Hospital Central do Alentejo, em Évora”, como a “construção de acessos, infraestruturas básicas e aquisição de equipamentos, que podem provocar novos atrasos no já repetido adiamento da sua abertura”, argumentou.
No entender dos comunistas, estes atrasos podem “hipocritamente vir a ser utilizados para justificar tentativas de alterar o modelo de gestão do novo Hospital, beneficiando os interesses dos grandes grupos económicos do negócio da doença”.
Na ferrovia, o PCP realçou os “atrasos no início das obras de eletrificação e modernização da linha entre Casa Branca e Beja, a modernização da linha entre Beja e Funcheira e da linha entre Sines-Caia em que “continuam a ser ignoradas as reivindicações das populações para garantir “o transporte de passageiros e a interligação do transporte de mercadorias com as potencialidades da região”.
“A nível da rodovia as obras que estão previstas não correspondem ao necessário e mais uma vez atrasam antigas e justas reivindicações das populações, como são os casos da conclusão e requalificação do Itinerário Principal IP2, do IC33 assegurando a ligação entre Sines e Évora, e do necessário IP8, com duas vias em cada sentido, sem portagens, entre Sines e Vila Verde de Ficalho”, lê-se no comunicado.
De acordo com o PCP, “as notícias e anúncios – nomeadamente do Secretário de Estado das Infraestruturas – que têm vindo a público sobre o IP8 atiram para as calendas gregas a sua concretização”.
“Relativamente ao IP2, que fruto da luta das populações terá finalmente obras de beneficiação no troço junto à cidade de Évora, é igualmente patente a falta de consideração da qualificação em todo o seu traçado, designadamente, no distrito de Portalegre, bem como no caso do IC13”, argumentou.
No documento, os comunistas lamentaram “a inexistência de verbas e projetos que possam dar resposta à urgente beneficiação geral das estradas da região e à disponibilização de uma linha de financiamento para as autarquias intervirem nas estradas e caminhos municipais”.
No que respeita ao aeroporto de Beja, a DRA reafirmou as propostas “para o seu aproveitamento e valorização, enquanto aeroporto complementar ao novo aeroporto de Lisboa, ao serviço da região e do País, com uma ligação, rápida e qualificada, à rede ferroviária e rodoviária”.
“O facto de, também nesta questão, o OE para 2025 não conter quaisquer verbas para estas ligações, confirma o desinteresse do Governo PSD/CDS em mobilizar recursos financeiros necessários ao aproveitamento de todas as potencialidades e dimensões que o aeroporto de Beja representa”, vincou.
Quanto à gestão dos recursos hídrico, o PCP considerou que as situações de seca e a persistência de situações de escassez exige uma resposta que passa pela criação de uma rede de infraestruturas hidráulicas na região, pela concretização de perímetros de rega associados ao Alqueva, pela construção da barragem do Crato-Pisão e pelo apoio às Autarquias e o respeito pela sua autonomia na gestão do ciclo urbano da água”.
“A gestão da água tem de estar associada a critérios de eficiência hídrica e coloca também na ordem do dia a necessidade de uma alteração profunda no modelo de exploração agrícola, com uma rotura com a política atual que se baseia na defesa dos interesses dos grandes grupos económicos que conduzem um processo de financeirização dos solos e da atividade agrícola, num processo acelerado de concentração capitalista”, defendeu.

