Helga Nobre
O sismo de magnitude 5,3 sentido, no passado dia 26 de agosto, a oeste de Sines, sem causar danos, apanhou a população de surpresa e, às primeiras horas do dia, ainda com receio de novas réplicas.
“Senti o sismo esta madrugada e a cama toda a abanar, mas fiquei deitada na mesma, um bocadinho assustada”, contou Dulce Correia, uma das primeiras clientes do Mercado Municipal de Sines, horas depois do sismo.
Também Maria Rodrigues, uma das comerciantes do mercado, disse ter sentido o tremor de terra à saída de casa para o trabalho.
“Senti mesmo quando estava a sair da porta de casa para a rua e ouvi o meu marido pedir para sair”. “Tenho um bar na entrada, com algumas garrafas, e aquilo abanava tudo”, acrescentou.
Mesmo ao lado, numa outra banca, Fernanda Pereira, às voltas com a organização das frutas e dos legumes, contou que acordou com o sismo “às 05:11 da manhã”.
“Acordei com o estremecer e o barulho, muito, muito barulho. Fui ver ao meu telemóvel e o ‘android’ disse-me logo para ter cuidado e deu-me as indicações que devia seguir”, relatou.
Ainda assim, continuou na cama: “Fiquei deitada à espera de outras réplicas. Estamos sempre à espera, porque pode ser sempre outra coisa qualquer”, afirmou.
Durante a manhã, o Presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, disse que, além de ter sentido o sismo, foram inúmeros os testemunhos qe chegaram até à proteção civil.
“Os testemunhos que a proteção civil tem e o número de chamadas recebido dizem isso mesmo, que o sismo foi sentido com intensidade na cidade de Sines”, afirmou.
Mas “o mais importante é que não houve qualquer dano ou vítima, pelo que a população deve estar serena, mas estar alerta para situações que podem ocorrer de um momento para o outro”, alertou.
De acordo com o Autarca, depois de garantida a segurança da população, há que ter em conta, “num segundo patamar, as “infraestruturas críticas” existentes no Concelho.
“Temos estado em contacto com várias entidades. Aliás, o Porto de Sines foi o primeiro a ligar para a proteção civil e, até ao momento, não há qualquer registo de ocorrências, assim como nas restantes fábricas do complexo industrial, onde as coisas estão a funcionar dentro daquilo que é a normalidade”, avançou.
Por seu lado, o Comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, indicou que “não houve qualquer dano material ou pessoal em toda a região do Litoral Alentejano”.
“Os Bombeiros e a Proteção Civil receberam imensas chamadas de pessoas alarmadas e preocupadas com esta situação, mas sem registo de danos”, frisou.
No entanto, o responsável alertou para a necessidade de serem adotados comportamentos em caso de sismo: “Devem sair das suas habitações ou do local de trabalho e, se não conseguirem, devem proteger-se debaixo de uma mesa ou da ombreira de uma porta”.
O sismo de magnitude 5,3 na escala de Richter foi registado às 05:11 e teve epicentro a 58 quilómetros a oeste de Sines, não tendo causado danos pessoais ou materiais até ao momento, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O sismo teve, entretanto, várias réplicas, de acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
“Até à data foram sentidas mais três réplicas. A primeira com magnitude 1,2, a segunda 1,1 e a terceira 0,9. Se se voltar a justificar, emitiremos novos avisos e comunicados”, adiantou o Comandante Nacional de Emergência E Proteção Civil, André Fernandes, num briefing, às 08:00.


