Cada vez mais – RASTREAR

Todos sabemos, que a doença oncológica, que tanto receamos, se encontra a aumentar, fruto das alterações genéticas resultantes dos nossos hábitos de vida, e comportamentos, bem como do aumento da capacidade de diagnóstico.

Sendo impossível rastrear todos os casos, é fundamental a pro atividade de cada um de nós, no auto conhecimento de alterações na estrutura (nódulos, manchas, cor, sangramento) e/ou funcionamento do nosso corpo (diarreia/obstipação, dor, tosse, sangue). Ninguém melhor que o próprio, consegue detetar alterações, que direcionem a investigação clinica na procura de uma determinada patologia, tanto no caso das doenças oncológicas, como qualquer outras.

Existem casos em que a doença é detetável, antes de produzir alterações percetíveis pelo próprio, conduzindo em geral, a um tratamento menos agressivo e de maior sucesso.

Os rastreios em oncologia, surgiram com a intenção de detetar precocemente alterações que conduzem a situação de doença grave, possibilitando uma intervenção mais eficaz. No entanto, os rastreios, com reconhecidas virtudes, acarretam recursos económicos e de profissionais, cujos ganhos em saúde e produtividade, nem sempre são imediatos e facilmente mensuráveis. Por outro lado, os recursos são finitos, pelo que devem ser direcionados, no sentido de abarcar as situações que ocorrem em maior número, mais graves ou incapacitantes, da forma mais simples possível.

O rastreio do Cancro da Mama realizado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, é o mais conhecido, dada a sua existência desde 1986, é realizado de dois em dois anos, a mulheres entre os 50 e os 69 anos, por ser a faixa etária de maior incidência, e em que se encontra indicada a realização de mamografia. Nas mulheres antes dos 50 anos de idade nem sempre a mamografia é o exame de eleição. Após os 69 anos de idade, surgem também, com alguma frequência tumores da mama, em geral menos agressivos, até pela diminuição do metabolismo feminino.

O rastreio do Cancro de Pele, surgiu em 2018 com a intenção de detetar lesões malignas e pré malignas, em pessoas com mais de 50 anos de idade, que tenham profissões de elevada exposição ao sol, história familiar de cancro de pele, pele e olhos claros. Este rastreio tem sido desenvolvido de forma pontual na nossa região. O último rastreio decorreu a 17/06/2023 no Polo de Saúde de Santo André, tendo sido avaliados 78 utentes, de cerca de 80 previamente inscritos, foram referenciados para consulta de dermatologia 11 utentes após avaliação clinica.

Os rastreios da cavidade oral, são ainda menos conhecidos, embora a sua incidência também tenha vindo a aumentar, além da gravidade do seu impacto na auto imagem e qualidade de vida da pessoa. O programa de rastreio da cavidade oral, iniciado em 2021, procura dar resposta à falta de capacidade da população para recorrer a cuidados especializados, na deteção de lesões da cavidade oral. Este rastreio destina-se a fumadores, com mais de 40 anos de idade, utentes com lesões, alteração de cor ou dor da cavidade oral, ou referenciados pelo Medico de Família. Assim, no dia 17/06/2023, decorreu no Polo de Saúde de Santo André, em paralelo com o rastreio de cancro da pele, o rastreio de cancro da cavidade oral, que abrangeu 61 pessoas, das quais uma foi referenciada para consulta de especialidade.

Existem outros rastreios implementados no terreno, realizados no Centro de Saúde, através do Médico da Família, dos quais falaremos oportunamente.

Todos estes rastreios são fundamentais, por proporcionar à população mais vulnerável, o acesso a uma avaliação especializada de proximidade, pelo que acreditamos, que a sua implementação no terreno vai ter o sucesso do rastreio do cancro da mama, entrando na rotina de todos nós.

 

Maria Teresa Beja Pereira Ferreira Guerra

Coordenadora da UCC Santiago do Cacém – Enfermeira Especialista em Saúde Comunitária

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